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Entrar no Mercado da UE: Guia para Fundadores Estrangeiros

Um guia simples para fundadores estrangeiros entrarem no mercado da UE: se precisam de uma empresa europeia, a diferença entre empresa e sucursal, como escolher um país e qual o papel da Estónia.

Se gere uma empresa fora da União Europeia e pretende entrar no mercado da UE, a primeira pergunta costuma ser a mesma: preciso de abrir uma empresa na Europa? A Internet responde com classificações dos «melhores países», ignorando a etapa que realmente importa. Antes de escolher um país, convém perceber se precisa sequer de uma empresa europeia e, em caso afirmativo, de que tipo. Este guia em linguagem simples sobre a entrada no mercado da UE aborda ambas as questões e explica quando criar uma empresa na Europa é realmente útil e quando apenas aumenta os custos.

Eis o que a maioria dos artigos omite: uma empresa da UE não é uma autorização. Nenhuma regra impede uma empresa do Dubai, de Singapura ou do Brasil de vender a clientes na Europa. O que uma empresa europeia altera é a facilidade dessas vendas: quem está disposto a assinar um contrato consigo, como são tratadas as faturas e o IVA e se os prestadores de serviços de pagamento o aceitarão. Por isso, a pergunta honesta não é «posso vender na Europa?», mas sim «operar sem uma empresa da UE custa-me mais do que custaria manter essa empresa?»

Resposta rápida

Não precisa de uma empresa da UE para vender a clientes europeus. Precisa de uma quando os problemas decorrentes da sua ausência começam a custar dinheiro a sério: clientes que se recusam a assinar com um fornecedor de fora da UE, prestadores de serviços de pagamento que rejeitam o pedido ou planos para contratar pessoas na Europa. Primeiro, determine quais destas situações se aplicam ao seu caso; depois, escolha um país.

A quem se destina este guia

Fundadores de primeira viagem de fora da UE que ponderam criar uma empresa europeia: trabalhadores independentes e consultores, pequenas agências, empresas de software e negócios online, bem como proprietários de uma empresa já existente no estrangeiro que procuram perceber se precisam de uma segunda empresa na Europa.

O que Significa Realmente «Entrar no Mercado da UE»

A expressão parece mais complexa do que é. Na prática, fazer negócios na Europa resume-se a pretender uma ou mais destas coisas:

  • clientes europeus que levem a empresa a sério e assinem contratos sem hesitar;
  • faturas que um departamento de contabilidade europeu aceite sem perguntas adicionais;
  • uma conta bancária europeia, para que os pagamentos em euros sejam simples e baratos;
  • acesso a prestadores de serviços de pagamento e plataformas online que só trabalham com empresas da UE;
  • a possibilidade de contratar ou trabalhar devidamente com pessoas na Europa;
  • uma base estável para se expandir pela Europa se o negócio correr bem.

A maioria das pessoas precisa de dois ou três elementos desta lista, não dos seis. E, se nenhum deles ainda se aplicar ao seu caso, essa também é uma resposta útil: a empresa pode esperar e será melhor investir o dinheiro na procura dos primeiros clientes europeus.

Precisa Realmente de uma Empresa na Europa?

No início, muitas vezes não. Não tem de criar uma empresa na Europa apenas para vender serviços a empresas europeias — normalmente, pode faturá-los através da empresa que já possui. Muitos fundadores operam assim durante um ano ou mais, sem que isso tenha algo de errado ou arriscado.

A situação torna-se problemática mais tarde, e os sinais são fáceis de reconhecer. Um cliente diz que as suas regras de compras não permitem contratar um fornecedor de fora da UE. Um prestador de serviços de pagamento rejeita-o porque a sua empresa não está estabelecida na UE. Vender a consumidores particulares, em vez de empresas, complica a documentação fiscal. Pretende contratar alguém na Europa. Qualquer uma destas situações é um motivo real para abrir uma empresa. Por si só, «parece mais profissional» geralmente não é.

O teste útil é simples: anote a coisa concreta que não consegue fazer neste momento. Se a conseguir descrever numa frase, está pronto para escolher uma estrutura. Se não conseguir, provavelmente ainda não está preparado para constituir uma empresa.

Três Formas de Entrar no Mercado Europeu

Depois de decidir que a sua expansão para a Europa precisa de uma base jurídica, existem três opções realistas.

Continuar a vender através da empresa existente

É a opção mais barata e a mais indicada no início. Continua a emitir faturas através da empresa que já possui. As limitações são práticas, não jurídicas: alguns clientes não trabalharão consigo, algumas plataformas não o aceitarão e a documentação torna-se complicada quando vende a consumidores. Funciona até deixar de funcionar — e perceberá quando isso acontecer.

Abrir a sua própria empresa na UE

É a opção escolhida pela maioria dos fundadores. Cria uma nova empresa na UE, detida por si pessoalmente ou pela empresa que já possui no estrangeiro — no segundo caso, chama-se filial, mas funciona da mesma forma. Em qualquer dos casos, é uma entidade autónoma: tem nome, conta bancária e contabilidade próprios e, sobretudo, dívidas próprias. Se algo correr mal, o problema fica dentro dessa empresa, em vez de afetar todos os seus outros bens.

Registar uma sucursal da empresa existente

Uma sucursal não é uma empresa nova. É a sua empresa existente a operar na Europa com o mesmo nome, o que significa que a empresa original continua plenamente responsável por tudo o que a sucursal fizer. Ainda terá de ser criada localmente e de apresentar documentação. Os principiantes presumem frequentemente que uma sucursal é uma opção mais leve e simples; na realidade, costuma implicar lidar com dois países em vez de um. É adequada para empresas estabelecidas que expandem uma marca existente, não para fundadores de primeira viagem.

Comparação das Três Opções

Sem empresa na UE Empresa própria na UE Sucursal
O que é Apenas a sua empresa existente Uma nova empresa europeia independente Parte da sua empresa existente, registada na Europa
Quem responde pelas dívidas A sua empresa existente Apenas a nova empresa A sua empresa existente
Registo na Europa Não é necessário Sim, como nova empresa Sim, como sucursal
Obrigações administrativas recorrentes Apenas no país de origem Contas e relatório anual num país Documentação em dois países
Trabalho necessário para a criação Nenhum Relativamente simples Mais documentos do que uma empresa
Mais indicada para Testar o mercado e obter os primeiros clientes A maioria dos fundadores Empresas existentes em expansão internacional

Repare que a coluna da sucursal não é a opção simples. Se está a começar, a escolha costuma ser entre as duas primeiras.

Como Escolher um País sem Complicar Demasiado

Abrir uma empresa é relativamente simples em quase toda a Europa, pelo que a rapidez do registo é um critério fraco para escolher entre países. Estes são os fatores que realmente os distinguem.

Comece por perceber onde estão os seus clientes

Se os seus clientes, trabalhadores e mercadorias estiverem todos num único país europeu, esse país costuma ser a escolha certa. Comparar jurisdições faz sentido quando o negócio está disperso — serviços online, consultoria, software ou clientes em vários países ao mesmo tempo.

Verifique se pode gerir a empresa à distância

Faça perguntas muito práticas. É possível assinar documentos online ou cada alteração exige uma visita a um notário? Pode comunicar com a autoridade tributária em inglês? Consegue apresentar o relatório anual a partir de outro continente? As diferenças entre países são enormes neste aspeto, que é também o fator mais subestimado pelos principiantes.

Não escolha um país apenas pela taxa de imposto

Uma taxa de imposto baixa noutro lugar não se torna automaticamente a sua taxa. O local onde vive e aquele onde gere efetivamente a empresa também importam, e as regras do seu país continuam a aplicar-se a si. Considere os impostos como um fator entre vários, não como o fator decisivo, e analise a sua situação com um consultor no seu país.

Uma forma mais útil de pensar sobre qual é o melhor lugar para criar uma empresa consiste em comparar cada país candidato com a sua própria lista breve, elaborada anteriormente neste guia, em vez de recorrer a uma classificação genérica.

Porque é que os Fundadores Consideram Frequentemente a Estónia

Pergunte a fundadores estrangeiros onde constituíram as suas empresas e a Estónia surgirá em quase todas as conversas. Existem alguns motivos concretos para isso.

Os lucros mantidos na empresa ainda não são tributados

Uma empresa estónia não paga imposto sobre o rendimento das sociedades relativamente aos lucros que retém e reinveste. O imposto torna-se devido quando os proprietários retiram dinheiro sob a forma de dividendos. Para uma empresa jovem que reinveste os rendimentos no crescimento, esta é uma vantagem prática real: não paga imposto sobre dinheiro que não retirou.

Quase tudo é feito online

Uma sociedade por quotas estónia (a OÜ) fica normalmente operacional em poucos dias úteis e, com um cartão de e-Residency, todo o processo pode ser concluído online, sem deslocações. Os relatórios anuais e as declarações fiscais também são tratados online. É esta a característica que é realmente difícil encontrar noutros lugares da Europa.

É adequada a empresas sem um mercado fixo

Se os seus clientes estiverem distribuídos por vários países — consultoria, agências, software ou serviços online — a Estónia funciona bem como base administrativa, em vez de ser o local onde exerce a atividade. Se isto descreve o seu negócio, vale a pena analisar mais detalhadamente a constituição de empresas na Estónia.

O que uma Empresa Estónia Não Fará por Si

Não elimina os impostos no seu país. Abrir uma empresa no estrangeiro não altera o local onde vive nem aquele onde é tributado a título pessoal. Se gerir a empresa a partir do seu país de residência, as regras desse país continuarão a aplicar-se a si. Deve confirmar este aspeto com um consultor local antes de registar seja o que for.

Não garante uma conta bancária. Os bancos decidem por si próprios e tendem a preferir empresas com uma ligação visível à região. Muitos fundadores no estrangeiro acabam por recorrer a prestadores europeus de serviços de pagamento em conjunto com um banco tradicional ou em sua substituição.

Não elimina o IVA noutros países. Se vender a consumidores na Alemanha ou em Espanha, continua a aplicar-se o IVA alemão ou espanhol. O local onde a sua empresa está registada não altera a localização dos seus clientes.

Não faz uma empresa sem atividade parecer real. Se todos os membros do conselho de administração viverem fora da Estónia, a empresa terá de nomear uma pessoa de contacto local e dispor de um endereço para correspondência oficial. Isso cumpre um requisito formal, mas não faz a empresa parecer estabelecida — os bancos e clientes sérios sabem distinguir as situações.

Erros Mais Comuns dos Fundadores Estrangeiros

Registar a empresa demasiado depressa

Uma empresa que demora três dias a abrir pode levar meses a encerrar ou reestruturar. Não há qualquer prémio por constituir uma empresa cedo, mas fazê-lo duas vezes tem um custo real.

Deixar a conta bancária para o fim

Esta é a forma mais comum de ficar bloqueado. Abrir a empresa é a parte rápida e simples; obter uma conta bancária ou de pagamento é a parte demorada e seletiva, e nenhum país a garante. Informe-se sobre as opções antes de constituir a empresa — caso contrário, poderá acabar com uma empresa devidamente registada, mas sem forma de receber pagamentos.

Orçamentar apenas os custos de criação

A criação é uma despesa única, mas a contabilidade, o relatório anual, a morada registada e o tempo que dedica à administração repetem-se todos os anos. Some os custos dos primeiros dois anos antes de decidir — um país onde seja barato entrar, mas caro manter a empresa, é um mau negócio para uma atividade que pretende conservar.

Procurar um único país perfeito

Não existe uma resposta genérica à pergunta qual é o melhor país para criar a sua empresa. Mas existe uma resposta para a pergunta sobre qual país se adequa aos seus clientes, à sua forma de trabalhar e aos seus planos.

A Estónia é Adequada para Si?

Costuma ser uma boa opção para:

  • trabalhadores independentes, consultores e agências com clientes em vários países;
  • empresas de software, IT e negócios online sem um mercado fixo;
  • fundadores que pretendam reinvestir os lucros, em vez de pagar dividendos a si próprios todos os anos;
  • pessoas que se sintam confortáveis a tratar da administração online;
  • não residentes que pretendam uma empresa europeia que possam gerir à distância.

Costuma ser menos adequada para:

  • empresas cujos clientes, trabalhadores e instalações estejam todos noutro país europeu — nesse caso, abra a empresa nesse país;
  • lojas, restaurantes e outros negócios que precisem de presença física num local específico;
  • atividades que exijam uma licença especial do regulador de um determinado país;
  • qualquer pessoa que espere que uma empresa estrangeira resolva um problema fiscal no seu país.

Considerações Finais sobre a Entrada no Mercado da UE

Para um fundador estrangeiro, a entrada no mercado da UE é uma sequência, não uma compra. Antes de criar uma empresa na Europa, determine aquilo que realmente não consegue fazer sem uma empresa europeia. Depois, decida se precisa da sua própria empresa ou de uma solução mais simples. Só então deverá comparar países — e compará-los pela facilidade de gestão à distância, pelo funcionamento dos serviços bancários e pelos custos anuais, não apenas por uma taxa de imposto.

A Estónia é uma boa resposta para uma versão específica desta questão: uma pequena empresa internacional e orientada para o meio digital, gerida por alguém que não se encontra fisicamente na Europa. Não é a resposta para todas as situações. Se conseguir explicar em voz alta qual problema pretende resolver, a estrutura certa costuma tornar-se evidente muito rapidamente.

Perguntas Frequentes

Este guia foi elaborado pela equipa da Eesti Firma, incluindo Gestor de Clientes Empresariais Nikita Sereda, e destina-se exclusivamente a fins informativos. Nenhum dos conteúdos apresentados constitui aconselhamento jurídico, fiscal ou de investimento. Embora tenham sido envidados todos os esforços para garantir a exatidão à data de publicação, as leis e os regulamentos podem mudar. Para obter assistência jurídica personalizada, contacte diretamente a Eesti Firma.